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Blogs de indústria da Microsoft

Uma mulher sentada

A jornada da mulher na tecnologia começa difícil. Diante de tão poucas iguais a si na sala de aula, se torna inevitável a pergunta “esse lugar é para mim?”. Essa pergunta, que inicialmente é feita em faculdades e espaços de ensino, também é repetida em outros momentos e locais – no trabalho, em reuniões, em eventos. 

 Quando vemos a história de mulheres na computação, nos deparamos com um cenário de mulheres responsáveis por criarem toda a base que possuímos hoje. Poucos dos inúmeros exemplos que temos são: 

  • Ada Lovelace, criadora do primeiro algoritmo da história; 
  • Dorothy Vaughan, afro-americana que trabalhou na NASA e fez grandes feitos na década de 1950 dentro da corporação; 
  • Grace Hopper, que inventou o primeiro compilador e levou ao desenvolvimento do COBOL; 
  • Margaret Hamilton, diretora do laboratório do MIT responsável pelo desenvolvimento do programa de voo utilizado pelo projeto do Apollo 11 – a primeira missão que nos levou para a lua. 

 Mas, se temos tantas mulheres importantes que nos levaram a todos os avanços tecnológicos que temos hoje em dia, por que a desigualdade persiste? 

Passagem escritaDesde crianças, as mulheres são criadas para brincar de bonecas e exercerem tarefas restritas a cuidado e à casa. Dificilmente são vistas bonecas que voltam de uma guerra que foram responsáveis por sustentar e bonecos que são pais e cuidavam de seus filhos/cozinhavam.  

 Videogames ficavam na ala masculina da loja de brinquedos, que os pais dificilmente levavam as filhas ou passavam para comprar um presente para elas. Na tecnologia, via-se a partir dos anos 60 a masculinização presente de forma forte com uma figura do geek que entrou no curso para evitar o contato com as pessoas e ficava fechado em um quarto, vestido de preto e interagindo estritamente com seu computador. Toda uma sociedade construída com essas divisões permaneceu dessa forma por muito tempo. 

 Além do curso de informática, percebi essa diferenciação nos esportes. Eu tinha vontade de jogar futsal enquanto estava no ensino fundamental e médio, aliando isso com meus estudos. Sempre gostei muito de jogar bola. 

 No dia que tomei a iniciativa de me inscrever nas aulas, fui informada de que só havia uma turma masculina. E isso não era porque não era permitido o público feminino, mas sim por não haver um número suficiente de meninas interessadas para que turmas fossem fechadas.  

 O professor, vendo minha imensa vontade de jogar, abriu uma turma mista que me possibilitou entrar – e ser a única menina a fazer parte – e que, tempos depois, abriu portas para que a primeira turma feminina ganhasse espaço. 

 Essa aparente “falta de interesse” que citei, no entanto, se choca com o histórico que vimos anteriormente e com outro ponto. Imagine quantas meninas passaram antes de mim no mesmo local e com o mesmo interesse de se inscreverem no programa, mas, ao perceberem que não tinham outras também inscritas, deixaram a ideia de lado? A falta de semelhantes é algo que realmente pesa, e faz com que muitas desistam. 

 Ocupação de espaços e ambientes

 Uma das coisas que mais dificultam a permanência de mulheres nesses espaços é não se enxergarem como parte do ambiente, e exemplos claros disso são: 

  • Uma mulher dentro de uma empresa que não se vê como líder porque não há uma mulher a quem possa se espelhar em um cargo de liderança; 
  • Procurar uma vaga de tecnologia, mas só ver homens ilustrando anúncios; 
  • Ser perguntada no meio de uma entrevista se pretende ter filhos e perceber que qualquer resposta positiva diminui suas chances para a vaga; 
  • Ao participar de processos seletivos, ser vista de forma diferente e enfrentar mais dificuldades para mostrar suas capacidades do que um homem; 
  • Comparar seu salário com o de um homem que exerce as mesmas atividades e descobrir que ganha menos; 
  • Ouvir comentários como “jogue seu charme para conseguir aquilo” ou pessoas induzindo que suas conquistas no trabalho se concretizaram apenas por sua beleza e físico; 
  • Ser inúmeras vezes interrompida em reuniões ao tentar expressar as suas ideias, sem ter a oportunidade de mostrar sua competência – e ver que com pessoas do sexo oposto a frequência que isso ocorre é menor. 

Passagem escrita por Mikaeri. No lado esquerdo, uma foto com três pessoas conversando.

O grupo, antes excluído, se torna parte de um todo que é escasso de profissionais e pode colocar todo seu conhecimento e habilidades em prática. Importante salientar que não só contratar mais mulheres soluciona o problema – é preciso que o ambiente seja seguro, que elas não enfrentem preconceito e acabem pedindo demissão poucos dias depois devido às péssimas situações em que são colocadas, o que não aparece em muitas métricas. 

 Acredito que toda a base e apoio que tive em todos os momentos que me vi como minoria acabaram por fazer crescer em mim uma vontade de propiciar um cenário diferente para as próximas que passassem pelos mesmos caminhos que percorri – de trazer a elas uma sensação de conforto, uma sensação de pertencimento. Uma sensação de que ali era o ambiente para elas por ter mais de 5 mulheres em uma sala de 40, e essas mesmas mulheres não desistirem conforme o curso corria. 

 Minha família foi parte importante de todo esse processo por ter sempre me norteado a fazer escolhas com base nos meus interesses e no que eu acreditava. Nunca me foram impostas bonecas, muito pelo contrário; me lembro bem de passar os dias brincando com meu irmão com o lava-rápido de carrinhos que ele tinha e deixando as duas únicas bonecas que eu mais gostava de lado, no armário. 

 Uma longa caminhada

 O fato de eu ser uma das únicas mulheres nos espaços foi difícil, mas ao mesmo tempo me fez querer continuar até o final da jornada. Se eu gostava de estudar aquilo e era feliz, não ia desistir, e mesmo que fossem poucas, eu queria fazer parte das mulheres que conseguiram. 

 Hoje, após muita luta por parte de cada mulher, vemos empresas com programas de inclusão e estímulo à igualdade e diversidade, contra atitudes de machismo entre seus ambientes e lutando contra vieses inconscientes em contratações, procurando fornecer um ambiente seguro para colaboradoras.  

 Um exemplo disso é a CI&T, empresa que integro como cientista de dados e participo de discussões sobre inclusão e diversidade, que a empresa defende e apoia com muita empatia e persistência. 

 Além de empresas, vemos comunidades técnicas que procuram fazer o possível e impossível para debater sobre o tema e auxiliar para que esse equilíbrio seja cada vez mais presente, investindo em capacitação e em movimentos que estimulem a todas as pessoas que se identificam como mulheres a escolherem e continuarem a acreditar na tecnologia. 

 Algumas das iniciativas que mais admiro são: 

Em resumo, a verdade é que existe toda uma luta por trás – não para que a pergunta “esse lugar é para mi m?” seja respondida, mas para que essa pergunta não exista.

Alguns dos dados que compartilhei podem ser encontrados na íntegra clicando nesse conteúdo super especial, que sugiro como continuação de leitura sobre o tema.