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Em 2019, a Microsoft participou e mediou alguns dos campfires realizados no SECOP 47º Seminário Nacional de TIC para a Gestão Pública, realizado pela ABEP. Neste artigo, falaremos do resultado dos debates na área de segurança pública sobre os temas “IoT e analíticos para Segurança Pública” e “Inteligência Artificial na investigação e no compartilhamento de dados e conhecimento”. 

Nos dois paineis foram alinhados conceitos que regulam a segurança pública. O tema Ordem Pública foi abordado como o “conjunto de regras formais que emanam do ordenamento jurídico da Nação, tendo por escopo regular as relações sociais de todos os níveis do interesse público, estabelecendo um clima de convivência harmoniosa e pacífica, fiscalizado pelo poder de polícia, e constituindo uma situação ou condição que conduza ao bem comum”, cabendo às polícias Federal, Rodoviária Federal, Militar, Civil e Corpos de Bombeiros Militares a manutenção dessa ordem, principalmente pelas atividades ostensivas para prevenir, coibir, dissuadir ou reprimir os eventos que causem a desordem. 

Foram abrangidos também conceitos da Prevenção Primária, que é definida como o conjunto de ações destinadas a evitar ou reduzir a ocorrência e a intensidade de infrações penais e perturbações da ordem, por meio da identificação, avaliação, remoção ou redução das condições propícias ou fatores precursores da desordem; e da Prevenção Secundária, como a detecção e atuação sobre as causas da desordem e a recuperação do estado de normalidade. 

A prevenção primária deve ser entendida, então, como atribuição do município e comunidades naquilo que se relaciona à iluminação, limpeza, saúde básica, conservação de infraestrutura e toda outra atividade voltada a reduzir ou eliminar as possibilidades do cometimento do crime. Um bom exemplo é a a questão da iluminação pública, em que locais conservados têm a atenção da comunidade para mantê-los cuidados, eliminando, assim, a possibilidade do cometimento de crimes, por retirar dos infratores as ferramentas que os permitem se manter no anonimato. 

fatores de prevencao primaria de crimes

Dentro deste cenário, ferramentas de IoT e vigilância empregadas pelos entes municipais e comunidades são fundamentais para expandir a sua cobertura territorial e garantir a segurança e a ordem pública; e, do outro lado, quando a ordem pública é quebrada pela ação criminal, cabe ao Estado usar de outras ferramentas de reação imediata e investigação para retomar à normalidade.

IoT e analíticos para Segurança Pública 

frase

Pensando em cobertura territorial, o próprio poder público se inviabiliza na implementação e manutenção de um ambiente de sensoriamento pela logística, o alto custo e a complexidade na administração distribuída de pequenos sensores e equipamentos necessários para a vigilância eletrônica. Por este motivo, um projeto de integração de câmeras e sensores de instituições privadas acaba sendo desejada pela administração pública pelos benefícios que trará para a ordem e também pela contrapartida dada ao setor privado, no aumento de sua capacidade pública de monitoramento e reação planejada de maior eficiência para a proteção social. 

As ferramentas de IoT mais utilizadas na Prevenção Primária:

  • Sistema de videomonitoramento urbano – podendo ser com câmeras de vídeo fixas, mais baratas e com uma posição de vigilância específica, normalmente instaladas em 2 ou 4 para cobrir 360º, permitindo análises automáticas. As câmeras com zoom e movimentação não cobrem simultaneamente os 360º, requerendo um operador e dificultando o processo de analíticos;
  • Leitores automáticos de placas veiculares – ferramenta imprescindível para a gestão do tráfego urbano e rodoviário, além de ser importante para a identificação e o combate ao crime de roubos de veículos e análise prescritiva de deslocamento e direção após um crime cometido;
  • Sensores pluviométricos – permitem análises em tempo real de possíveis áreas a inundar e impedem que áreas alagáveis se tornem pontos de cometimento de crimes;
  • GPS – quando em veículos, caçambas de descarte de resíduos sólidos contribuem com o monitoramento da desordem provocada por descarte irregular de dejetos;
  • Sensores de iluminação além de serem uma ferramenta de gestão de custos, são forte aliados na prevenção primária por exporem pessoas em atitudes suspeitas;
  • Sensores de ruídos – já em uso para a identificação de desordem, mas também identificam possíveis áreas de disparo de armas de fogo.

 Casos de sucesso debatidos: 

  • Ventana Ciudadana e Green Light, desenvolvidos em parceria com a GENETEC, são casos emblemáticos do uso de câmeras de vídeos e sensores providos pela comunidade para a integração ao atendimento de emergência policial. Nos dois casos, totens com câmeras são implementados nas fachadas de lojas e esquinas, equipados com botões físicos de emergência e aplicativos em smartphones e, quando acionados, pegam as imagens e sensores do local e as enviam para “síndicos” (pessoas definidas pela comunidade). Eles avaliam e geram um alarme para as patrulhas policiais próximas ao local;  
  •  Em São Paulo, os Terminais Móveis de Dados (tablets ou smartphones) da Polícia Militar trazem uma nova dinâmica ao policiamento, pois além da governança pela rastreabilidade de cada recurso policial, também atuam como fonte de conhecimento empoderando o agente. Como exemplo, as ligações da última hora no 190 geram estatísticas em tempo real e mostram ao policial militar as ruas com maior demanda de atitude suspeita, conectando de maneira inovadora o cidadão ao policial. Da mesma forma, essas chamadas informam às prefeituras os pontos de alerta sobre segurança primária, como iluminação e afins; 
  • RADAR: ao receber dados dos milhares de leitores de placas veiculares espalhados por São Paulo, sistemas buscam nas bases de atendimento do 190 possíveis correlação com emergências e roubos. Depois, alertas são enviados para as patrulhas mais próximas agirem; 
  • DAS em Nova Iorque, que utiliza de milhares de sensores como emissores radiológicos, detectores de explosivos, sensores nucleares, reconhecimento facial, sensores pluviais, detectores de disparos de arma de fogo, leitores de placas e dezenas de outros dispositivos IoT e os cruzam com dados de emergência (911) e enviam alertas para os Smartphones dos Policiais próximos aumentando sua presença no terreno e consciência situacional;   
  • Atendimento de Emergência na África do Sul em parceria com a RapidDeploy, que implementa um sistema integrado para 190, 192, 193, 153, 156 e 199. O grande diferencial transformador está no uso dos conceitos de “Uberização” e redes sociais, onde o usuário pode acionar os serviços de emergência por áudio e vídeo, por telefonia ou redes sociais. O despacho de patrulhas e serviços permitem que empresas privadas e profissionais liberais se associem ao serviço público por meio de um APP, sendo remunerados por serviços executados. Um exemplo é um médico em sua hora de folga, que assina o APP e pode ser despachado por proximidade em um caso de mal súbito enquanto uma ambulância mais próxima, também privada é despachada para o socorro. 

Inteligência Artificial na investigação e no compartilhamento de dados e conhecimento

O uso da Inteligência Artificial (IA) em Prevenção Secundária no aspecto ostensivo e investigativo vai além do mero uso para reconhecimento biométrico: ela serve principalmente como ferramenta para extrapolar a capacidade cognitiva humana em reconhecer padrões e desvios. 

 Os sensores, como câmeras de vídeo públicas e privadas, vídeos analíticos de trânsito, sistemas de alarmes eletrônicos providos pela iniciativa privada e por outras entidades de Governo, podem ser integrados aos bancos de dados de emergência do Estado (153, 156, 190, 192, 193 e 199), além de bancos de dados da saúde, transporte, educação e gestão do cidadão, formando juntos uma poderosa rede de conhecimento que possibilita prestar um serviço mais preciso e ágil, eliminando desperdícios e priorizando adequadamente os recursos municipais. 

  Desta forma, as organizações privadas também podem atuar na triagem e qualificação de um evento, aumentando a qualidade nas intervenções públicas e reduzindo as falsas comunicações de crimes e desordem urbana. Estes são exemplos claros de como o compartilhamento de informações e recursos são diferenciais importantes na redução e controle criminal. 

Ferramentas de buscas cognitivas mais utilizadas em investigações

 Casos de sucesso debatidos: 

  • DETECTA em São Paulo e DAS em Nova Iorque: uso de Bigdata e Business Intelligence para integrar dados de naturezas diferentes (IoT, Câmeras, dados civis, criminais, veículos, registros de ocorrência e outros), fazer correlação entre eles nas dimensões espacial, temporal e semântica; permitindo que diferentes organizações policiais e autoridades Municipais possam compartilhar dados de maneira segura e eficiente 
  • Polícia Australiana em parceria com a MODIS: colocam todos os dados coletados de vídeos públicos e privados, fotografias, documentos, logs de interceptação, áudios interceptados, mapas, ou seja, toda sorte de dados e mídias em um DataLake de um caso a ser investigado. O uso da IA é intenso, iniciando pela extração automática de minúcias das evidências como localização (cruzando vídeos e fotos com imagens públicas conhecidas ou utilizando OCR para encontrar nomes de lojas ou mesmo placas de ruas); biometria facial com a classificação de todos os rostos com gênero, altura aproximada, cor de pele; dados de cores de veículos, roupas; contagem de pessoas e objetos; transcrição dos áudios em texto, extração de OCR de documentos como valores, locais, nomes, números; permitindo no final, a busca textual e correlação de dados sobre as evidências independente da mídia analisada;  
  • Polícia inglesa: a perícia técnica usa realidade mista (Microsoft Hololens) para gravar tridimensionalmente o local de crime, utilizando o entendimento natural de linguagem para que o perito fale suas análises e a IA faça a transcrição do relatório e formatação do caso para a justiça. De volta ao laboratório, o perito pode reviver quantas vezes for necessário aquele ambiente gravado tridimensionalmente, sendo a mesma imagem disponibilizada para promotores, advogados e juízes.